Um relato de um Caminho


Como é bom sentir que as pessoas ainda passam para palavras aquilo que vão vivendo. Aqui fica a imortalização de uma das caminhadas que dei há pouco tempo:

"No dia 1 de Dezembro, tal como fora planeado e, em horário rigorosamente cumprido, o Rotary Clube de Viana do Castelo, iniciou a visita guiada ao Parque da Cidade, sob a orientação da Especialista Investigadora dr.ª Rita Roquette. A manhã estava fria, com sol encoberto e ameaça de chuva. Fomos recebidos pelo Vereador Ricardo Carvalhido, responsável pelo Ambiente e Biodiversidade, Ciências, Inovação e Conhecimento.

A Presidente Luísa Quintela agradeceu ao Vereador as diligências de abertura do parque em dia feriado e à dr.ª Rita Roquete por aceder ao convite de fazer uma caminhada com o grupo de rotários e amigos.

O Vereador deu as boas vindas ao grupo, com tecidos elogios ao clube rotário - uma entidade de largo reconhecimento pela Autarquia e pela comunidade vianense - situou as dificuldades da abertura do parque em dias feriados, bem como, a necessidade de salvaguardar determinados princípios de utilização do mesmo, para benefício da natureza e de manutenção e conservação de um espaço que é de todos. Informou que está em curso um trabalho de preparação para a utilização adequada desse espaço.

Foi lida uma breve apresentação – nota curricular - da especialista Rita Roquette.

Ao iniciar a caminhada, deu alguns conselhos a ter durante o percurso e na aproximação com as plantas espontâneas (que muitos designam de “ervas daninhas”), com aparecimento nesta época do ano. Frisou o cuidado na identificação de ervas selvagens que, apesar de muito parecidas, podem confundir com espécies não comestíveis e causar efeitos nocivos ou tóxicos. A observação das plantas deve incluir os vários ciclos botânicos – despontar da floração, o estado foliar, as sementes – para ajudar na identificação correta: distinguir as plantas boas e excluir plantas com toxicidade. Importa fazer uma análise cuidada da flor e suas constituintes, do formato da folha e suas caraterísticas (pigmentação, aveludado), do caule, do fruto ou das sementes. São elementos em que tem de incidir uma observação baseada na utilização atenta dos cinco sentidos. Podem encontrar-se plantas selvagens com benefícios terapêuticos, cosméticos e de utilização culinária.

A primeira que encontrou – a malva – através de uma folha, exemplificou características e focou os benefícios terapêuticos e culinários. O toque macio e aveludado, a riqueza em nutrientes e mucilagem, os efeitos adstringentes do chá e suas aplicações, foram algumas das apreciações feitas pela orientadora.

Numa flor de Dente de Leão, foi desfolhando o que considerávamos pétalas - pequenas flores que compunham uma só – desmontando e exemplificando cada um dos seus componentes. Falou das características das folhas que dão nome à planta e permitem a sua distinção onde surgem outras variedades de folhas semelhantes. Planta muito rica em potássio, com utilização culinária da flor, das folhas e da raiz. As folhas, um excelente emoliente, são também, muito utilizadas pela cosmética em leites de limpeza.

A Verbena, designada por muitos de “erva sagrada” pelo seu efeito protector, surgiu rasteira e pouco visível no verde prado. De imediato, a Investigadora meteu na boca uma pequena folha, aliciando os caminhantes a provar o amargo da mesma, enquanto enaltecia os seus efeitos sobre a digestão, estimulante do funcionamento biliar e, também, o seu poder calmante.

Encontrou-se funcho, pilriteiro, vime e salgueiro. De todas as plantas observadas, apreciamos sabor e ficamos a conhecer alguns dos muitos benefícios de cada espécie, das mais diversas utilizações e sua justificação. Da culinária à cosmética e à medicina, em infusões ou em chás, muitas plantas têm indicação e benefício, com ação anti- inflamatória, analgésica, calmante, indutora do sono e outras.

O passeio foi longo, muito animado e muito enriquecedor. Terminou pelas 12h30. A caminhada continuaria, tal era o entusiasmo e interesse motivado pela expert que nos acompanhou.

A identificação de plantas requer saber, observação lenta e cuidada que acompanhe as quatro estações do ano. É necessário familiarizarmo-nos com as plantas para as conhecer melhor.

A Mãe Natureza oferece uma diversidade e variedade de plantas que despontam espontâneas para apreciarmos e delas tirar os melhores benefícios. Merece de todos o maior respeito e carinho."

Rotary Club de Viana do Castelo, Dezembro de 2018

Maria Ermelinda Miranda Ribeiro jaques

#eventos #plantasespontâneas

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